Em diálogo com a Ocupação Grande Othelo, Itaú Cultural Play estreia mostra em homenagem ao ator

Em diálogo com a Ocupação Grande Othelo, Itaú Cultural Play estreia mostra em homenagem ao ator
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Em 5 de dezembro (sexta-feira), em diálogo com a Ocupação Grande Othelo, última exposição do ano da série Ocupação, que abre no Itaú Cultural em 6 de dezembro, a plataforma de streaming gratuita do cinema brasileiro Itaú Cultural Play estreia uma mostra em homenagem ao icônico artista, considerado um dos maiores atores brasileiros. A seleção conta com sete longas-metragens de diferentes épocas e gêneros, evidenciando o talento e a versatilidade de Grande Othelo: do drama Rio, Zona Norte (1957), em que ele interpreta um sambista brilhante que tenta viver de sua arte, à comédia Matar ou correr (1954), filme que faz uma paródia do gênero western norte-americano e traz Grande Othelo e Oscarito, dupla que se tornou um marco do cinema nacional.

O público também poderá assistir a títulos como Macunaíma (1969), um dos trabalhos mais célebres de Grande Othelo, e Também somos irmãos (1949), reconhecido como um precursor na discussão sobre o racismo no cinema brasileiro.

O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

Entre o riso e o drama

Ao revisitar momentos distintos do cinema brasileiro, os filmes da mostra evidenciam tanto a força artística de Grande Othelo quanto a variedade de gêneros que marcaram sua trajetória. Em Rio, Zona Norte (RJ, 1957), de Nelson Pereira dos Santos, Grande Othelo vive Espírito, sambista que, ferido após cair nos trilhos da Central do Brasil, revisita sua vida. Apesar de sua criatividade inesgotável, ele é manipulado por um músico erudito e por um empresário que rouba sambas para levá-los ao rádio. Enquanto tenta afirmar sua arte, Espírito sobrevive de pequenos bicos. Considerada uma das grandes obras do cinema brasileiro, Rio, Zona Norte combina realismo incomum para a época e um retrato profundo da cultura dos morros cariocas — e Othelo se destaca em uma de suas atuações mais memoráveis.

A verve cômica do ator ganha espaço em Carnaval Atlântida (RJ, 1952), clássico assinado por José Carlos Burle. Nessa comédia carnavalesca, regada a muito samba, mambo, jazz e música romântica, Grande Othelo interpreta Miro, faxineiro atrapalhado de um estúdio de cinema que tenta realizar uma adaptação do mito de Helena de Troia. Junto a Piro, seu colega de trabalho, eles se envolvem em todo tipo de confusão. Inventivo e popular, o longa-metragem marca uma das parcerias entre Grande Othelo e o ator Oscarito (1906-1970), que interpreta o erudito Professor Xenofontes, contratado pelo estúdio para ser consultor da adaptação.

Em Matar ou correr (RJ, 1954), dirigido por Carlos Manga, Grande Othelo volta a contracenar com Oscarito. Othelo e Oscarito interpretam, respectivamente, Cisco Kada e Kid Bolha, vigaristas que chegam à cidade de City Down, dominada pelo temido pistoleiro Jesse Gordon. Os dois acabam se envolvendo em um confronto que derrota o bandido, o que faz com que Kid Bolha seja eleito pela população xerife do local. Mas, tempos depois, Jesse Gordon escapa da prisão. Uma das chanchadas mais célebres da companhia cinematográfica Atlântida, o filme faz uma paródia divertida dos clichês do western norte-americano, especialmente Matar ou Morrer (1952). A obra destaca a química cômica entre Othelo e Oscarito, que consolidou a dupla como ícone do cinema popular brasileiro.

A mostra da Itaú Cultural Play também exibe Jubiabá (RJ, 1987), outro filme de Nelson Pereira dos Santos com Grande Othelo. Nessa adaptação do romance homônimo de Jorge Amado, ambientada na Salvador de 1930, conhecemos Antônio Balduíno, ou Baldo, menino negro, pobre e órfão que passa a morar em uma casa de burgueses quando a tia que cuidava dele adoece. Mais velho, ele começa a se relacionar com a filha do dono da casa, Lindinalva. O afeto entre os dois se prolonga por décadas, enquanto diferentes acontecimentos se sucedem: expulso da casa, Baldo vira lutador e líder grevista. No filme, que escancara o racismo e desigualdade social do Brasil, Grande Othelo interpreta Jubiabá, pai de santo, líder comunitário e amigo de Baldo.

A seleção também conta com um dos trabalhos mais conhecidos de Grande Othelo: Macunaíma (RJ, 1969), de Joaquim Pedro de Andrade. O filme transforma o clássico de Mário de Andrade, o livro homônimo lançado em 1928, em uma comédia mordaz sobre o "herói de nossa gente", que, ao mesmo tempo, é um “herói sem nenhum caráter”. Nele, o protagonista, Macunaíma (vivido por Grande Othelo e Paulo José), nascido na floresta, decide se aventurar pela cidade grande em busca da muiraquitã, um amuleto perdido. Zombeteiro, Macunaíma foi criado como uma alegoria do povo brasileiro.

Outro título do cineasta José Carlos Burle com Grande Othelo que entra na mostra é o drama social Também somos irmãos (RJ, 1949). A história acompanha um viúvo que adota quatro crianças: Miro, papel de Grande Othelo, e Renato, que são negros, e Marta e Hélio, que são brancos.  Eles vivem em aparente harmonia até que, com o tempo, o racismo começa a transbordar as relações familiares e sociais. Outro clássico da Atlântida Cinematográfica, o longa-metragem é reconhecido como um precursor na discussão sobre o racismo no cinema brasileiro e conta com uma impressionante atuação dramática de Grande Othelo.

Por fim, a mostra exibe Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (RJ, 1977), obra que consolidou o diretor Hector Babenco no cinema da América Latina e alcançou mais de 5 milhões de espectadores, tornando-se um dos filmes mais assistidos da história do cinema brasileiro. Baseado no romance de José Louzeiro (1932-2017), o thriller relembra a trajetória de Lúcio Flávio (1944-1975), um criminoso que ficou conhecido por revelar à imprensa um grande esquema de corrupção policial no Rio de Janeiro, na década de 1970. No enredo, Grande Othelo assume o papel de Dondinho, antigo morador do morro que conhece o protagonista desde menino.

 Ficha e sinopse dos filmes

Rio, Zona Norte
De Nelson Pereira dos Santos (Drama, 82 min, Rio de Janeiro, 1957)
Classificação indicativa: 12 – Drogas lícitas e violência

Sinopse: Deitado sobre os trilhos de um trem da Central do Brasil, de onde caiu acidentalmente e se feriu, o sambista Espírito rememora a sua vida. Dono de uma criatividade inesgotável, ele é aliciado por dois homens, um ambíguo músico erudito e um empresário malandro que rouba sambas para levá-los ao rádio. Enquanto espera ser publicamente reconhecido pela sua arte, Espírito sobrevive de pequenos bicos.

Carnaval Atlântida
De José Carlos Burle (Comédia, 92 min, Rio de Janeiro, 1952)
Classificação indicativa: 10 – Drogas lícitas

Sinopse: Dono da Acrópoles Filmes, o produtor Cecílio B. de Milho quer realizar uma requintada adaptação cinematográfica do mito de Helena de Troia. Para a criação do roteiro, contrata os serviços do erudito Professor Xenofontes. Enquanto o roteirista se perde de amores pela sobrinha cubana do patrão, dois funcionários do estúdio se envolvem em todo tipo de confusão.

Matar ou correr
De Carlos Manga (Comédia, 100 min, Rio de Janeiro, 1954)
Classificação indicativa: 12 – Drogas lícitas e violência

Sinopse: Os moradores de City Down, cidadezinha no Velho Oeste, vivem sob o jugo do pistoleiro Jesse Gordon. De passagem pelo local, os vigaristas Kid Bolha e Cisco Kada se enfrentam com o bandido e, por sorte, o derrotam. Em gratidão ao gesto heroico, a comunidade nomeia Kid Bolha como xerife. Mas, tempos depois, Jesse Gordon escapa da prisão.

Jubiabá
De Nelson Pereira dos Santos (Drama, 100 min, Rio de Janeiro, 1987)
Classificação indicativa: 14 – Drogas lícitas, linguagem imprópria, nudez e violência

Sinopse: O filme narra a história do negro Antônio Balduíno, na Salvador dos anos 1930. Órfão, Baldo é criado pela tia no morro do Capa Negro. Quando ela adoece, ele vai viver na casa de uma família burguesa. Lá, apaixona-se pela angelical Lindinalva, que responde ao seu amor. O afeto entre os dois se prolonga por décadas, enquanto diferentes acontecimentos se sucedem: expulso da casa, Baldo se junta, vira lutador e líder de estivadores. Enquanto isso, Lindinalva vê a promessa de casamento com um advogado e a fortuna familiar ruírem.

Macunaíma
De Joaquim Pedro de Andrade (Comédia, 108 min, Rio de Janeiro, 1969)
Classificação indicativa: 16 – Conteúdo sexual, nudez e violência

Sinopse: Adaptação de um dos mais famosos romances da literatura brasileira, o filme narra a história de Macunaíma, "herói de nossa gente". Nascido na mata, Macunaíma vai se aventurar na cidade grande em busca da muiraquitã, um amuleto perdido. Na selva de pedra estranha e hostil, conhece o amor da guerrilheira Ci e enfrenta o vilão milionário Venceslau Pietro Pietra, sequestrador da pedra mágica.
Também somos irmãos

De José Carlos Burle (Drama, 85 min, Rio de Janeiro, 1949)

Classificação indicativa: 12 – Drogas lícitas e violência

Sinopse: O viúvo Requião adota quatro crianças: Renato e Miro são negros, e Marta e Hélio são brancos. A família vive em aparente harmonia até que, com o tempo, o racismo e o preconceito começam a transbordar as relações familiares e sociais, levando a uma série de humilhações e injustiças.
Lúcio Flávio, o passageiro da agonia 

De Hector Babenco (Policial, 125 min, Rio de Janeiro, 1977) 

Classificação indicativa: A16 – Violência 

Sinopse: A história do assaltante de bancos Lúcio Flávio, famoso na década de 1970 por suas fugas mirabolantes. Entre roubos, estelionatos, escapes e prisões, tem seu destino selado a facadas, não sem antes divulgar à imprensa um imenso esquema de corrupção policial. Baseado no romance de José Louzeiro. 

SERVIÇO
Mostra de filmes em homenagem a Grande Othelo, em diálogo com a Ocupação Grande Othelo, que abre no Itaú Cultural em 6 de dezembro

Estreia em 5 de dezembro na Itaú Cultural Play

www.itauculturalplay.com.br